Marina Rima



Nome completo: Marina Ribeiro Mattar

Nome artístico: Marina Rima

Signo: Gêmeos.

Religião: Católica apostólica brasileira.

Time de futebol: Não tenho.

Livro de cabeceira: Carta de amor e morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke, do Rilke.

Sua trajetória literária (livros lançados, participação em coletâneas etc.): Publiquei meu primeiro livro de poemas “vênus partida ao meio”, em 2017, pela Patuá. Em 2018, na tentativa de dar continuidade, publiquei “estaca zero & outros desvios de percurso”, pela Urutau. Em 2019, pretendo publicar o último livro dessa série e então passar a trabalhar só com autopublicação.

Qual a utilidade da literatura em sua vida?

A literatura é a pedra angular da minha vida.

Há um ritual para você escrever? Qual?

Não, eu sempre ando com bloquinhos e papéis soltos para poder registrar os poemas que surgem. Meu processo criativo é totalmente desordenado e imediato, raramente eu edito um poema que escrevi, escrevo e já está.

A literatura veio de berço ou de um amor não correspondido?

Posso dizer que de berço, meu avô era poeta, desses cancioneiros, fazia quadrinhas e sempre organizava saraus pros netos declamarem. A relação entre o texto e a música, presente na poesia popular, foi muito importante para construir a ideia de poesia que tenho hoje. Também, aprendi a ler em casa, minha mãe me sentava na máquina de costura e líamos Bandeira e Drummond. Eu venho de uma família grande e só fui à escola por volta dos sete anos, então absorvi muito os costumes de leitura dos meus pais.

Entre escrever a obra-prima que te dê uma vida gloriosa e uma morte tranquila, o que você prefere?

Obra-prima, sem dúvida, e depois morte tranquila. A vida é a obra e ela é gloriosa por si só, não depende da aprovação de ninguém. A poesia é para além dos livros e da história: um estado de coisa. O que vale é viver a obra e morrer com ela.

Autor ou autora que você ainda não alcançou.

São muitos, mas a dualidade de Alberto Caeiro sempre me deixa confusa. Não alcancei e nunca vou, isso que me atrai. 

Tudo é válido em literatura?

Sim e não, parece óbvio dizer isso, mas nos tempos atuais é preciso: a literatura deve respeitar os direitos humanos.

A crítica tem valor mesmo se o alvo da crítica é a sua obra?

A crítica de valor, para mim, é aquela que não tem preguiça ou é pretensiosa, mas procura ser completa, abrangente, aprofundada. O que eu vejo por aí são comentários muito rasos, pouco específicos, pautados na camaradagem ou jabá. De um jeito ou de outro, a crítica é bem vinda porque gera curiosidade sobre o objeto, mas pouca gente questiona a crítica. O compromisso da crítica e do leitor da crítica deve ser com a literatura, em seus diversos âmbitos: estéticos, sociais e culturais.

Você escreve para conquistar o mundo ou para agradar os consagrados?

Escrevo porque é natural, mas também porque é registro e marca, a escrita corta o tempo e deixa seu sinal. Nesse sentido, acho que escrevo mais pra conquistar o mundo, mas um próprio, algo que só existe em mim e pra mim.

Escrever é “questão de vida ou morte”?

É, e cada vez mais. Vejo o livro, hoje, como o suporte mais inovador no mundo da arte, no que se refere às possiblidades. A escrita também aparece como algo que se renova muito constantemente, é sempre possível escrever algo novo e inventar o dizer, o contar. “Tudo está dito”, é verdade, mas “tudo é infinito”, também.







niña


o vidro reveste a carne
primeiro, vem da mãe o nome
vem bordado costurado com teimosia

pés pequenos e pequenas mãos
nariz e bochecha de veludo
costura, a criança, em nove meses
e espera o resto da vida pra ver a luz

se fosse de pano o corpo

e se fosse fácil o reparo,

mas é frágil

olhos pequenos e pequenos sonhos
as mãos atadas à agulha

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