Saulo Dourado



Nome completo: Saulo Matias Dourado

Nome artístico: Saulo Dourado

Signo: Leão

Religião: Está comigo.

Time de futebol: Internacional de Porto Alegre (desde a campanha de 2006 com Nilmar, D'Alessandro e Taison)

Livro de cabeceira: Era Borges, agora é Guimarães Rosa.

Sua trajetória literária (livros lançados, participação em coletâneas etc.): Lancei um livro prensado em janela e costurado pelo amigo Reinofy, reunindo os meus primeiros contos: O autor do leão, em 2014Depois o material foi reeditado pelo selo FB Publicações da editora Caramurê, que publicou na sequência minha produção infanto-juvenil, Mailon, o cão que late para o espelho Amar é uma conexão discada. Algumas histórias do livro Mailon começaram na coluna O Conto, que eu mantinha quinzenalmente no suplemento A Tardinha, do Jornal A Tarde, de 2010 a 2017. Extraí daí, também, dois livros infantis editados pela Secretaria de Educação da Bahia, na coleção Novos Autores Baianos, para a alfabetização pública. Ao público maior, escrevi em 2016 os contos de O mar e seus descontentes, pela Via Litterarum, e, agora, um romance histórico sobre a relação de admiração-e-disputa entre Ruy Barbosa e Castro Alves, com O borbulhar do gênio, também na Caramurê. 

Você escreve para conquistar o mundo ou para agradar os consagrados?
Conquistar o mundo. Os consagrados são ótimos, mas o ano tem doze meses, e, a cada mês, um achado debaixo da porta...

Escrever é “questão de vida ou morte”?
É questão de distração da morte.

A literatura veio de berço ou de um amor não correspondido?
De um amor não correspondido. Só a feiura primeira forma a escritura. Não há literatura fora de algum beijo negado.

Qual a utilidade da literatura em sua vida?
Preciso até dar menos. A literatura me faz esquecer data de vencimento de declaração, de inscrição em processo seletivo, de enviar planilhas. Converso com os livros e às vezes deixo os amigos. 

Há um ritual para você escrever? Qual?
Sentir que estou dono do tempo. Se eu vou precisar ir ao serviço em uma hora, não escrevo; se eu tenho de fazer o mercado da semana, não escrevo. Mas se sei que as horas estão todas à minha frente (o que não é tão constante quanto eu gostaria), leio para aquecer e depois abro o computador para escrever.  

Tudo é válido em literatura?
Sim. Em literatura. 

A crítica tem valor mesmo se o alvo da crítica é a sua obra?
A crítica está tão rara que ela tem valor como e de onde vier.

Autor ou autora que você ainda não alcançou. 
Alcançar no sentido de querer ler e ainda não li? Vou preferir entender assim, e respondo: Lúcio Cardoso e Ana Maria Gonçalves.

Entre escrever a obra-prima que te dê uma vida gloriosa e uma morte tranquila, o que você prefere?
É praticamente a mesma pergunta que fizeram a Aquiles, no primeiro poema do Ocidente, há quase três mil anos: a glória da posteridade ou o esquecimento tranquilo. Pedimos a tranquilidade, mas continuamos preferindo a guerra, como se não houvesse muito o que escolher.





"Naquela noite, Ruy Barbosa sonhou com uma fogueira acesa no jardim do Mosteiro de Olinda. Ele conversava com uma moça que avistara certa vez na Rua Imperatriz, e alguns monges apareciam para pedir menos barulho, pois ele falava muito alto. Por mais que Ruy tentasse conversar, tudo o que ele dizia parecia alto demais. Em algum momento, ele resmungou: Irei denunciar-te no Diário! Saiu para refrescar-se no mar e, ao mesmo tempo, acordou na madrugada da República. Urinou-se."



(trecho do romance O Borbulhar do Gênio, ed. Caramurê, 2018)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Luana Muniz

Jober Pascoal

Carlos Arouca