Déa Paulino




Nome completo: Andréa Ribeiro Paulino

Nome artístico: Déa Paulino

Signo: Touro

Religião: Ateia, graças a deus.

Time de futebol: Pergunta curiosa. Futebol é festa e possibilidade de catarse e epifania. O Rubem Alves publicou um livrinho delicioso a esse respeito, "O futebol levado a riso". Cresci em família palmeirense e, durante muitos anos, gostei muito de futebol. Ficava felicíssima quando ia aos jogos em estádios. Já não acompanho mais.

Livro de cabeceira: O "Livro do Desassossego" é um dos, felizmente muitos, livros da minha vida; mas um livro que costumo usar como referência é "Um teto todo seu", da Virginia Woolf; também (me) volto frequentemente à Hilda Hilst, pela inspiração que provoca, e Orides Fontela, em quem descobri um espelho surpreendente.

Sua trajetória literária (livros lançados, participação em coletâneas etc.): Tenho contos e poemas publicados em revistas digitais, como a Plume Magazine e a Parêntese, e também em antologias impressas da Editora Scortecci e Câmara Brasileira de Jovens Escritores; há alguns poemas em uma antologia intitulada "Poesia Sem Gavetas", publicada em Portugal, na qual meus poemas foram editados e compuseram páginas de verdadeiro horror. Alguns dos meus poemas estão no site Mallamargens, e nas edições impressas mais recentes do jornal O Casulo, também.

Você escreve para conquistar o mundo ou para agradar os consagrados?
Escrevo para registrar meus mundos.

Escrever é “questão de vida ou morte”?
Escrever não é questão, é resposta feita de buscas sempre inacabadas, não concluídas. É registro de transformação, movimento, pulso, exploração de impossibilidades, vida.

A literatura veio de berço ou de um amor não correspondido?
De berço. Sou de uma família de educadores, de pessoas que gostam da palavra. Éramos e somos maravilhosamente fabuladores quando nos reunimos. Minha avó foi uma excelente contadora de histórias, e minha mãe e meu avô – além de terem sido bons leitores, que mantinham as casas repletas de livros – escreviam e falavam muito bem, todos eles foram os primeiros exemplos/inspirações para mim.

Qual a utilidade da literatura em sua vida?
A literatura me atrai mais pela aparente inutilidade, porque posso dar a ela os sentidos que são meus.

Há um ritual para você escrever? Qual?
A escritora Maria Valéria Rezende diz, com razão, que os rituais de escrita são reservados aos homens, porque a nós foram impostas as responsabilidades da vida doméstica. Como a maioria das mulheres, escrevo quando e onde posso. Ainda assim, guardo certas preferências estéticas, como transpor meus rascunhos (que são muitos, feitos no celular, em guardanapos, papel higiênico ou o que tiver à mão), a lápis, para alguns cadernos e blocos que eventualmente me ponho a revisitar.

Tudo é válido em literatura?
Cada um sabe de si.

A crítica tem valor mesmo se o alvo da crítica é a sua obra?
Gosto da crítica, mas sei que ela é sempre só um ponto de vista, uma possibilidade de interpretação. Não me apego a ela.

Autor ou autora que você ainda não alcançou:
Os meus sempre vêm a mim no momento apropriado.

Entre escrever a obra-prima que te dê uma vida gloriosa e uma morte tranquila, o que você prefere?
Não tenciono escrever uma obra-prima porque sei que tal pretensão ultrapassa minhas limitações. Que a morte, como a vida (apesar de), seja tranquila, me parece o mais sensato a desejar. Sobreviver ao mundo contemporâneo é a glória.






petit château


todos carregam pedras
para construir castelos
enquanto esculpo
com sangue
a rocha fria

eu, que não sou princesa,
sinto prazer
nas mãos que ardem
sobre a campa
branca e última

sou tumular

Comentários

  1. Muié porreta sô.
    Muié de minha Terra
    Muié que sobe a serra
    Mesmo sem um amô.

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